A fotoproteção é um dos pilares mais importantes da prevenção do fotoenvelhecimento e do câncer de pele. No entanto, muitos conceitos equivocados circulam entre os pacientes — e até entre profissionais de saúde. A seguir, apresento uma análise técnica dos principais mitos e verdades, com base em ciência e diretrizes internacionais.

1. FPS 30 e FPS 50 são praticamente iguais.

→ MITO
Embora a diferença numérica pareça pequena, na prática existe diferença significativa:
•FPS 30 bloqueia cerca de 97% da radiação UVB
•FPS 50 bloqueia cerca de 98%
•FPS 70–100 chega a 99%
Para populações de risco (melasma, pele clara, histórico de câncer, uso de ácidos), FPS 50+ é altamente recomendado.
E mais importante: o FPS só funciona se aplicado na quantidade correta.

2. Protetor solar deve ser reaplicado a cada 2 horas.

→ VERDADE
O protetor perde efetividade com suor, calor, oleosidade, atrito e água.
Mesmo em sombra, a reaplicação é necessária.

3. Se eu estiver na sombra ou em dias nublados, não preciso usar protetor.

→ MITO
Cerca de:
•80% da radiação UVA atravessa nuvens,
•E reflete na areia, na água e até em superfícies claras.
A radiação UVA é a principal causadora de envelhecimento, melasma e danos silenciosos ao DNA.

4. Quanto mais produto eu passo, maior o FPS real.

→ VERDADE
O FPS testado em laboratório só é alcançado se o paciente aplicar a dose exata, que é:
🔹 2 mg/cm² de pele
Na prática do dia a dia, traduz-se assim:
Face e pescoço:
👉 1 colher de chá cheia
ou
👉 2 dedos de protetor solar (técnica dos 2 dedos)
ou
👉 1,2 g a 1,5 g
Corpo completo:
👉 30 mL por aplicação
(aproximadamente um copinho de shot)
Este é o ponto mais ignorado da fotoproteção:
a maioria das pessoas passa apenas 25–50% da quantidade necessária, reduzindo o FPS real para menos da metade.

5. Protetor com cor protege mais.

→ VERDADE
Protetores com cor têm pigmentos responsáveis por bloquear:
•luz visível,
•luz azul,
•luminosidade artificial.
Indispensável para quem tem melasma, hiperpigmentações e rosácea.

6. Protetor solar causa acne.

→ MEIO MITO, MEIO VERDADE
Alguns protetores podem ser oclusivos e gerar acne em peles oleosas.
Hoje, porém, existem formulações:
•oil-free,
•gel-cream,
•sérum,
•toque seco,
•matificantes.
A orientação dermatológica é essencial para encontrar o protetor ideal.

7. Filtros físicos são melhores que filtros químicos.

→ MITO
Ambos são eficazes quando usados corretamente.
•Filtros físicos (minerais): zinco, dióxido de titânio — ótimos para peles sensíveis.
•Filtros químicos: mais leves, melhor espalhabilidade, mais resistentes.
O melhor protetor é aquele que o paciente tolera e reaplica.

8. Vitamina C pode substituir protetor solar.

→ MITO
Antioxidantes não substituem o protetor, mas potencializam a fotoproteção, reduzindo o estresse oxidativo.
São complementares, não alternativos.

9. Indo para o mar ou piscina, preciso proteger o lábio.

→ VERDADE (E URGENTE)
O lábio é área de alto risco para carcinoma espinocelular.
Use FPS 30–50, preferencialmente resistente à água.

Conclusão

A fotoproteção eficaz vai muito além do FPS estampado na embalagem. Ela depende de:
•escolha adequada do protetor,
•quantidade correta aplicada,
•reaplicação frequente,
•associação com barreiras físicas e antioxidantes.
A combinação desses pilares garante prevenção contra câncer de pele, melasma, manchas e envelhecimento precoce — mantendo a pele saudável, íntegra e protegida ao longo de todo o ano.
Dr Amilton Macedo
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