Durante muito tempo, a rosácea foi entendida principalmente como uma doença de “pele vermelha e sensível”. Hoje sabemos que ela é muito mais complexa.

A rosácea é uma doença inflamatória crônica, na qual participam alterações vasculares, imunológicas, neurogênicas e da barreira cutânea, além da possível participação de microrganismos como o Demodex folliculorum.

Essa nova compreensão modificou também a maneira de tratar a doença.

A dermatologia atual está deixando para trás os protocolos iguais para todos e caminhando para um tratamento personalizado de acordo com as manifestações predominantes de cada paciente.

E, entre os avanços mais importantes, estão as novas estratégias combinadas e o uso cada vez mais preciso das tecnologias a laser.

Rosácea não é uma doença única

Nem todo paciente com rosácea apresenta as mesmas manifestações.

Alguns apresentam predominantemente vermelhidão persistente. Outros têm episódios intensos de flushing. Existem pacientes com pequenos vasos aparentes — as telangiectasias — enquanto outros apresentam pápulas e pústulas semelhantes à acne.

Também podem ocorrer ardor, sensação de calor, hipersensibilidade, alterações oculares e, nos casos mais avançados, espessamento da pele.

Por isso, uma das principais atualizações no tratamento é justamente esta:

não devemos tratar apenas o diagnóstico “rosácea”; devemos identificar quais mecanismos e manifestações predominam naquele paciente.

O primeiro tratamento continua sendo cuidar da barreira da pele

Uma pele com rosácea geralmente apresenta maior sensibilidade e pode ter comprometimento da barreira cutânea.

Por isso, antes de introduzir tratamentos sofisticados, é fundamental estabelecer uma rotina adequada.

Limpeza suave, hidratação reparadora, fotoproteção diária e redução de fatores desencadeantes continuam sendo pilares do tratamento.

Excesso de ácidos, esfoliação agressiva e utilização indiscriminada de cosméticos podem aumentar a irritação e perpetuar a inflamação.

Na rosácea, muitas vezes, menos produtos e mais precisão significam melhores resultados.

Os medicamentos também evoluíram

Entre os tratamentos tópicos, substâncias como ivermectina, ácido azelaico e metronidazol continuam ocupando posição importante, principalmente quando existem lesões inflamatórias.

Para o eritema persistente, medicamentos vasoconstritores tópicos, como brimonidina e oximetazolina, podem ser utilizados em pacientes selecionados.

Nos quadros inflamatórios mais importantes, a doxiciclina em doses com ação predominantemente anti-inflamatória continua sendo uma estratégia relevante.

Em situações específicas e resistentes, outras abordagens, incluindo isotretinoína em baixas doses, podem ser consideradas pelo dermatologista.

Mas uma das grandes mudanças está na percepção de que medicamentos e tecnologias não precisam competir entre si.

Eles podem atuar sobre mecanismos diferentes da doença.

O grande avanço: tratar também o componente vascular

Um paciente pode controlar suas pápulas e pústulas e continuar incomodado com a vermelhidão.

Isso acontece porque existe um importante componente vascular na rosácea.

É justamente nesse cenário que lasers e outras tecnologias baseadas em luz ganharam protagonismo.

A energia pode ser direcionada para a hemoglobina presente nos vasos sanguíneos, promovendo fototermólise seletiva e redução progressiva das estruturas vasculares responsáveis por parte da vermelhidão.

Hoje existem diferentes possibilidades, como laser de corante pulsado, KTP, luz intensa pulsada e Nd:YAG.

A escolha deve considerar profundidade e calibre dos vasos, fototipo, intensidade do eritema e características individuais da pele.

Fotona robótica: uma nova perspectiva para o tratamento da rosácea

Entre as tecnologias que merecem destaque está o Fotona, particularmente pelas possibilidades oferecidas pelo laser Nd:YAG e por seus diferentes modos de entrega de energia.

Protocolos desenvolvidos para rosácea podem combinar modos como VERSA®️, VERSA3®️ e FRAC3®️, permitindo trabalhar diferentes componentes e profundidades da alteração vascular.

O VERSA®️ utiliza pulsos longos de Nd:YAG para alcançar estruturas vasculares mais profundas. Já o FRAC3®️ produz um padrão tridimensional de microáreas térmicas, acrescentando uma abordagem complementar para qualidade e remodelamento cutâneo.

Nas plataformas mais avançadas, a possibilidade de sistemas automatizados ou robotizados de aplicação acrescenta outro conceito importante: padronização e precisão na distribuição dos disparos.

Isso é particularmente interessante porque a rosácea frequentemente ocupa áreas relativamente extensas das bochechas, nariz e região centrofacial.

Em vez de pensar simplesmente em “passar um laser no rosto”, o objetivo passa a ser criar um planejamento terapêutico preciso, levando em consideração a distribuição dos vasos, o grau de eritema e a resposta daquela pele.

Por que o Nd:YAG é interessante?

O comprimento de onda de 1064 nm do Nd:YAG apresenta maior profundidade de penetração do que alguns lasers vasculares de comprimentos de onda menores.

Isso permite alcançar determinadas estruturas vasculares mais profundas.

Mas profundidade não significa que um laser seja universalmente superior aos demais.

Vasos superficiais, eritema difuso e vasos mais profundos podem responder melhor a tecnologias diferentes. Por isso, o futuro provavelmente não será escolher “o melhor laser”, mas selecionar ou combinar tecnologias de acordo com o padrão vascular de cada paciente.

Essa é uma mudança importante de conceito.

Tratar inflamação e vasos ao mesmo tempo

Talvez uma das tendências mais interessantes seja justamente o tratamento combinado.

Um paciente com rosácea pode receber tratamento para controlar o componente inflamatório e, simultaneamente ou em etapas planejadas, uma tecnologia direcionada ao componente vascular.

Por exemplo, ivermectina, ácido azelaico ou outros medicamentos podem controlar determinadas manifestações inflamatórias enquanto o laser atua sobre eritema e telangiectasias.

Essa combinação permite abordar diferentes mecanismos da doença, em vez de esperar que um único tratamento resolva todas as suas manifestações.

E a microbiota?

A relação entre rosácea, microbioma cutâneo e Demodex tornou-se uma área importante de investigação.

O objetivo atual não é simplesmente “esterilizar” a pele. A microbiota faz parte de um ecossistema complexo e necessário.

A dermatologia moderna procura compreender como alterações desse equilíbrio podem contribuir para inflamação e disfunção da barreira cutânea.

Isso também explica por que tratamentos excessivamente agressivos podem ser contraproducentes em determinados pacientes.

LED e terapias complementares

Tecnologias de fotobiomodulação, particularmente determinadas faixas de LED, vêm sendo utilizadas como estratégias complementares em protocolos dermatológicos.

Seu papel é diferente daquele dos lasers vasculares: não substituem o tratamento específico dos vasos, mas podem ser incorporadas a determinados protocolos com objetivo de modular inflamação e auxiliar na recuperação da pele.

Da mesma maneira, hidratantes reparadores, ativos calmantes e estratégias voltadas à recuperação da barreira podem fazer parte do tratamento global.

Rosácea não tem um único tratamento — tem um plano terapêutico

Essa talvez seja a principal atualização.

O tratamento moderno pode ser organizado em diferentes frentes:

controlar inflamação + preservar a barreira cutânea + tratar o componente vascular + controlar fatores desencadeantes + manter os resultados.

Para um paciente, o principal tratamento pode ser tópico. Para outro, pode ser necessário associar medicação oral. Para aquele que apresenta eritema persistente e telangiectasias importantes, tecnologias vasculares podem assumir um papel central.

E, dentro desse novo cenário, sistemas avançados como o Fotona com aplicação robotizada representam uma possibilidade interessante para tornar a entrega da energia cada vez mais planejada e uniforme.

O futuro do tratamento da rosácea é a personalização

Não devemos mais olhar para dois rostos vermelhos e presumir que estamos diante da mesma doença.

É necessário entender se predomina inflamação, alteração vascular, hipersensibilidade, comprometimento da barreira, presença de Demodex ou uma combinação desses fatores.

A partir desse diagnóstico, construímos o tratamento.

A tecnologia trouxe ferramentas extraordinárias para a dermatologia, mas o equipamento sozinho não faz o tratamento. É o diagnóstico médico que determina qual tecnologia utilizar, em qual momento e com quais parâmetros.

Na rosácea, isso é especialmente importante.

O tratamento mais moderno não é simplesmente aquele que utiliza a tecnologia mais avançada. É aquele que consegue compreender a complexidade daquela pele e combinar ciência, medicamentos e tecnologia de maneira personalizada.

Dr Amilton Macedo
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